quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PM do Rio acha bazuca escondida em fossa no Alemão

                     Arma estava em beco no Areal, no Centro do conjunto de favelas.
                          Material apreendido será levado para o 16º BPM (Olaria).




A PM do Rio de Janeiro encontrou uma bazuca antitanque, por volta das 14h45 desta quinta-feira (2), escondida em fossa no Areal, no Centro do Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte. A bazuca, a segunda apreendida em dois dias na favela, é do modelo AT-4, usado pelo exército americano na guerra do Iraque. A arma foi localizada em um beco e será levada para o 16º BPM (Olaria).
No começo desta tarde, uma metralhadora antiaérea tinha sido apreendida por homens da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD). A metralhadora estava enterrada no quintal do imóvel e só foi localizada depois da checagem de uma denúncia anônima. Na casa também foram apreendidas cocaína, maconha, munição calibre .50, uma balança e facões. Segundo o investigador Sidnei Araújo, a arma é capaz de provocar estragos em um veículo blindado e derrubar um helicóptero.
 


‘Gate atirou no sequestrador porque ele iria matar ex-mulher’, diz capitão 


Negociador que já atuou no caso Eloá falou que agressor estava irredutível.
Refém foi libertada após 19 horas no interior de SP; homem foi internado.



“O Gate atirou no sequestrador porque ele iria matar a ex-mulher dele”, afirmou na manhã desta quinta-feira (2) o capitão Adriano Giovaninni, negociador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), considerada a tropa de elite da Polícia Militar do estado de São Paulo.
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Essa foi uma das respostas que o oficial deu por telefone ao G1 para justificar a autorização dada ao "sniper", atirador de precisão, para disparar contra o desempregado de 45 anos, que estava armado e mantinha a ex-esposa de 41 anos refém por mais de 19 horas dentro de uma clínica odontológica em Araçatuba, a 527 km da capital paulista. O tiro acertou a cabeça do agressor quando ele se afastou da vítima. Até as 11h30, o sequestrador continuava internado em um hospital da cidade do interior de São Paulo.
“Tentei negociar a rendição da refém com o agressor, mas ele estava irredutível e disposto a matá-la. Além de estar armado e ameaçado matar a ex e se matar em seguida, ele derramou gasolina dentro do imóvel e falou que iria atear fogo”, afirmou o capitão Giovaninni.
Segundo o oficial do Gate, atirar no agressor foi necessário. "O sniper teve autorização para atirar. Ele atirou onde achou que foi possível imobilizar o agressor. É o sniper que decide onde atirar. Ele estava a uma distância de cerca de quatro metros do sequestrador. Foi o último recurso que tínhamos."
O Major Gilson Paulo Saltoratto, coordenador operacional do Gate e gerente da crise em Araçatuba, defendeu a ação do sniper. "No caso não tinha outra região do corpo para o atirador acertar porque quando o sequestrador chegou até a janela, só a cabeça dele estava aparecendo. O tiro foi para parar a ação do agressor porque ele iria matar a outra pessoa, no caso a ex-mulher dele. A intenção não era matar, mas neutralizar, para o agressor cessar a ação", afirmou o major.
Caso Eloá
Com 39 anos de idade e 16 dentro do Gate, Giovaninni acumula experiência na função de negociador em situações de alto risco. Foi ele quem conversou com o sequestrador de Eloá Pimentel, em Santo André, no ABC, em 2008. Naquela ocasião, a adolescente foi morta a tiros pelo seu sequestrador, o ex-namorado Lindemberg Alves. O agressor queria reatar o romance no que ficou conhecido como caso Eloá.

“São situações distintas. Agora tínhamos o campo de visão do agressor para imobilizá-lo com um tiro de precisão. Com o Lindemberg não tínhamos esse campo. Temos sempre de pensar no refém também”, explicou o capitão do Gate.
Segundo Giovaninni, o agressor de Araçatuba queria que a ex-mulher confessasse uma suposta traição. “Ele será indiciado por tentativa de homicídio, cárcere privado e porte ilegal de arma pela Polícia Civil”, disse o capitão, que se deslocou com sua equipe de avião de São Paulo até Araçatuba. “Só vamos em situações extremas”.
Invasão a clínica
A vítima foi foi rendida pelo ex-marido por volta das 11h de quarta-feira (1º). O sequestro terminou às 8h15 desta quinta.

De acordo com testemunhas, o homem chegou com uma mochila, entrou na clínica odontológica municipal onde ela trabalha e foi ao consultório número 1, onde a mulher estava sozinha, limpando o local. Assustadas, três colegas de trabalho da vítima se trancaram em outra sala e chamaram um dos dentistas que trabalha no local e que havia acabado de sair para o almoço.
Durante a noite, a PM informou que foi possível perceber, por meio de contato visual, que a mulher passava bem, assim como o homem que invadiu o prédio e a mantinha sob a mira de um revólver.
Familiares do ex-casal foram chamados. Centenas de curiosos também acompanharam durante a madrugada o trabalho da polícia. O homem estava armado com um revólver e mantinha em poder dele duas garrafas pet com gasolina. Ele ameaçava atear fogo na clínica. O ex-guarda municipal espalhou o combustível pelo consultório por pelo menos duas vezes.
Na hora em que o homem invadiu o local, um dentista ainda falou com o acusado, que já havia trancado a porta e colocado um armário para impedir a passagem. Os funcionários acionaram a Polícia Militar, que isolou o local. De acordo com policiais, por muitas vezes, o acusado chegou a encostar a arma na cabeça na ex-mulher. Ele também teria ameaçado atirar nela e depois se matar.
Policiais do Gate chegaram de avião em Araçatuba por volta das 17h. E
les foram direto para a clínica e fizeram um levantamento detalhado da área, com a medição de portas, janelas e paredes.
De acordo com policiais, o homem não fez nenhuma reivindicação. Ele apenas teria pedido para que a ex-mulher confessasse uma suposta traição. Os dois moraram juntos durante 16 anos. O casal se separou há quatro meses, de acordo com a mãe da refém. Desde a separação, começaram as brigas, conforme familiares. Márcia chegou a registrar boletins de ocorrência de ameaça contra o ex-marido. A Justiça expediu recentemente uma medida protetiva, por meio da qual ele ficou proibido de chegar a menos de 200 metros da ex-mulher.





 

Defesa diz que pode avaliar envio de tropas ao Rio se estado pedir

O Ministério da Defesa informou nesta quinta-feira (25) que, "em tese", pode avaliar um eventual pedido de tropas para ajudar a polícia do Rio de Janeiro a enfrentar a onda de violência na capital fluminense. De acordo com o ministério, até o momento, nenhum pedido foi feito.


Segundo a assessoria do Ministério da Defesa, o apoio fornecido ao estado até o momento se restringiu ao envio de carros de combate e de militares que pilotam os veículos. Nenhum militar foi designado para ajudar em combate direto a criminosos.

Nesta quarta-feira, o governador Sérgio Cabral pediu ao ministério – e foi atendido – apoio logístico da Marinha nas ações contra grupos criminosos que, desde domingo, promovem arrastões, ataques a forças de segurança e incêndios em veículos.
O Ministério da Justiça não fez avaliação da operação policial nesta quinta (25) no Rio, mas informou, por meio da assessoria, que está buscando atender todas as solicitações do governo fluminense. O ministério já ofereceu 50 vagas em presídios federais para presos do Rio. O ministro Luiz Paulo Barreto disse nesta quarta (24) que colocou à disposição do governo estadual as tropas da Força Nacional de Segurança.

De acordo com o governo do estado, os ataques são uma reação à política de implantação de Unidades de Polícias Pacificadoras (UPPs), na qual a polícia ocupa áreas antes dominadas por criminosos.

O uso de veículos blindados da Marinha em operações de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro é inédito, segundo o comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Paulo Henrique Moraes. "É a primeira vez que ao Bope utiliza este tipo de força em uma operação no Rio", afirmou.



Ação
A polícia do Rio entrou nesta quinta-feira na Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, para prender criminosos que, segundo serviços de inteligência, saíram de comunidades ocupadas pelas UPPs. Após o início da ação, vários homens deixaram a favela com destino ao Complexo do Alemão
A operação da polícia é liderada pelo Bope e usa ao menos 350 homens (200 da Polícia Civil e 150 do Bope), com o apoio da Marinha, que cedeu nove blindados.

O cerco a criminosos na Vila Cruzeiro, na Penha, faz com que moradores e trabalhadores das proximidades do conjunto de favelas evitasse voltar para casa. O servente José Pereira, de 33 anos, foi atingido no tornozelo durante a operação. “Fico muito triste com essa situação. Meus filhos já não vão à escola há dois dias”, disse.

A megaoperação na Vila Cruzeiro teve um caveirão com pneu furado e dois blindados da Marinha avariados –um deles, atigindo por tiros, saiu de combate.

Pelo menos 115 ônibus estão sem circular na região da comunidade Vila Cruzeiro por conta da megaoperação. Segundo a Federação de Empresas de Ônibus do Rio (Fetranspor), a viação Nossa Senhora de Lourdes está com quase todos seus coletivos dentro da garagem, que fica próxima à favela.